Foi numa noite como esta
Em pleno breu
No escuro da solidão
Me enxerguei
Como o que não poderia ser
O silêncio dos meus batimentos
Entregue
Não são meus
Não sei nem o que são
Automaticamente viva
Isoladamente sobrevivente
Foi numa noite como esta
Em pleno breu
No escuro da solidão
Me enxerguei
Como o que não poderia ser
O silêncio dos meus batimentos
Entregue
Não são meus
Não sei nem o que são
Automaticamente viva
Isoladamente sobrevivente
Através de dias, fiquei
Seu olhar reluzente
Algo que não sabia ler
Vã esperança talvez
Estive ali
Como a espreitar
Vivendo de brincar
Apenas por me divertir
Te esperei
Suas incertezas suportei
Fui sua compensação
E gostei de ser
Venci em esperar
Segredos surrados
Desejos realizados
Quantos mais você quer?
Te doei meu tempo
Entreguei meus sonhos
De braços abertos e mãos atadas
Te esperei
Apenas fique
Se isso te agrada
Não tentarei te convencer
Posso esperar
Mas nunca fingir
Assim como os meses fingiram em dias
Se me cansar posso esquecer
Como trouxeram, os reis levaram
Foi como melancolia sólida
A lembrança de cada brilho aparecendo
Desta vez sendo recolhidos
Da alegria a tristeza
Conjunto a solidão
Estive em prantos
Talvez pela saudade de dias atrás
Ou talvez seja o vazio da ausência
Vermelho se fazendo memória
Virou, lampejo de um futuro
Foi nos seus braços que pensei
Morada enfim encontrei
O suspiro do momento
Se foi
Ao teu corpo entreguei
O eco da partida restou
O último adeus que ficou
Assisti a brisa fria me tocar
Como se estivesse fora
Na minha estação preferida
Sentindo a ausência da sua barreira
Desci os degraus
Pronta para atender
Mas não havia ninguém
Uma tradução inadequada
Mas era Outubro afinal
Na imensidão de seus passos
A miragem de um oásis
A distância do deserto
Tempo esquecido no infinito
Levou em seus braços
Todo meu pesadelo
No ontem estive,
Para partir em pedaços
Os toques de suas notas
Afiou-se a letra do que foi dito
Adeus à essas e outras tantas
Escuro em fim
Ouvi seus passos
O eco no chão
Me fez virar rapidamente
Eu sentia, talvez até era vontade
Desejo que estivesse lá
Você poderia querer
Iria te receber
Não tenho palavras
Cansei de dizer
A revolução dos meus pensamentos
Não me permite traduzir
Não tenho palavras
Talvez não aceito sentir
Estou aqui de novo
Despejando para omitir
Ao intervalo da mente
Escrever ao dizer
Talvez seja o álcool e o tédio
Um pensamento intrusivo que não quero crer
Assisti esse casal se formando
E percebi
não estou aberta assim
Quero algo valioso
Mas posso estar brincando de me divertir
Talvez melhor repensar
Meio louco pensar
Assisti em mim a empatia que não sentia
Talvez o que eles me transmitiram
Seja o que preciso sentir
O impacto da fala no seu olhar
A necessidade de contradizer
O rótulo mencionado no ar
Ser incapaz de ficar seja choque da realidade
A falta de vontade ou receio de estar
Tempo e espaço para criar
Arriscar a chance, vale?
Se querer é fato não precisaria valer
Refletir ou esquecer
Me reconheci naquele exemplo
Claramente cega pelo medo
Assustada com a possibilidade
Estava ali em minha frente
Tão simples desacreditar
impossível desta vez
Fechei os olhos e percebi
Que minha mão estava bem ali
Onde bate
Me recorda
Abri a porta e fiquei a deriva
Talvez no momento improvável
Impróprio em minha individualidade
O coral das suas nuvens
Iluminou o verso dos meus olhos
Estive esperando um sinal
e foi uma tragédia
Descobri que ele não viria
Estive esperando a sua luz
e acabei no escuro mais uma vez
Os observei por segundos, ou talvez fossem horas.
Eles construíram a bolha deles
Alheios de tudo ao redor
Sem importância de serem observados
Os pés descalços
A brisa que levantava a toalha
E o forçava a afastar os cabelos dela a cada beijo
A forma que puxava seu rosto
E a trazia pra perto
Estava longe pra dizer
Mas o brilho dos olhos era tátil
Talvez isso seja o sonho de uma manhã de domingo
A realidade que apenas alcançou aos dois
Que souberam viver cada segundo
Ou talvez foram horas
Na primeira vez apenas segui
Na segunda observei
Afim de confirmar
Foi na terceira que realmente senti
Inteiramente observada
Sentindo o suor na minha nuca
O rubor invadindo meu rosto
E a certeza que se foi assim
Imagino no topo da escada
Você tentou contato
Eu sorri e segui
Talvez na próxima volta
Ter o seu olhar como motivação
Suas palavras como guia
Seu toque como estímulo
Tudo que se esperaria, como devoção
Mas esperei errado
Desejei o improvável
Almejei o impossível
Apenas para deparar novamente
Sol sob nuvens
Grama úmida
Sereno da manhã
Insônia de todos os dias
E ali ficar
Seria egoísmo querer a atenção do seu olhar por minutos?
Sabemos exatamente quando somos a prioridade.
Não deveria me incomodar.
Eu posso ignorar, posso olhar pro lado sem me importar.
Posso, sei que sim.
Mesmo assim, seria demais?
Tenho os momentos, as incertezas também.
E tenho a memória dos poucos que tive e me deixaram assim.
Querer seu olhar pode ser um erro, que insisto em cometer.
Desmontei tudo
A maquiagem
As roupas
O cabelo
O sorriso
Tudo que havia preparado
Em vão
Tudo que toquei
Desmoronou
E apenas ela ficou
A sensação conhecida
A única familiaridade
Aquilo que o coração nunca perdeu
Você escolheu a porta aberta
Era mais fácil de passar
Não teve chave ou cadeado
Que fosse
Para te impedir
Era uma porta aberta
Você escolheu seguir
Estive esperando
Como tola sequencial
Acreditar que me queria
Quando nem me procurava
Estive a disposição
Como uma boneca
Pronta com surpresa
nunca aconteceu
Estive esquecida
Quando até eu mesma não me importei
Ser o primeiro pensar
Estive esperando
Ingênua como tal
Garota de deslumbre
Covarde em palavras
Segue esperando
Sabendo que não chegará
Os passos ecoam no asfalto
Cada brilho de luz que se faz em sombra
Quando te pedi 5 minutos a mais
Continha o grito de socorro apenas
Mas você nem olhou pra trás.
Você quer fugir do ciclo
Fingir que não se repete
Seus lábios ecoam as palavras de 5 anos atrás
Se mantém a covardia sem arriscar
A solidão que te invade é refletida
Cada partícula de luz do seu olhar
Se escolha
Caia no erro se for capaz
Já basta de tortura
Gire de novo
e não olhe pra trás
Você me tocou como o sereno da manhã fria de outono
Eu reagi como Darcy um dia o fez
Com seu olhar me rendendo por segundos
E se foi
Como se não houvesse sido
Enquanto eu ainda estava em seus braços e coração
Sentindo sua respiração
Estática como as folhas molhadas no asfalto
Que encaram meu devaneio
E me julgo mais uma vez
Sai sem rumo,
Vagando no escuro
Perdida por fim.
Encontrei meu próprio rastro
Por cima de um muro
Onde o brilho obscuro
Foi um guia pra mim.
Segui o caminho até você
Guiada por não sei mais o que
Antes de chegar já encarava o erro
E mesmo assim me permiti errar
Seus lábios como fogo
Puxando, queimando, me cegando
O gosto do arrependimento, parece que gosto
Não quero te escutar e prefiro te calar
Não se apaixone novamente, eu já avisei
Apenas mais um erro para coleção
Eu sei que voltarei nesse caminho
Apenas por que a porta fica sempre entreaberta
Levo o calor comigo, por inteira
Ele que me chama
Como chama
Me entreguei por inteira
Para desistir por completo
São os detalhes
As omissões
As ameaças
Deixei de te conhecer
Comecei a odiar um estranho
Uma mistura de luto e rancor
Prefiro uma ausência sincera
Não preciso mais de falsas presenças
É muito triste olhar pra alguém que você amou muito e não sentir nada. Absolutamente nada. Só raiva e muitas saudades. Só um vazio sem graça, feio, solitário. Mais triste é saber que alguém que te amava muito, agora te olha assim, sem se importar, sem se interessar. É dessa forma que eu te vejo hoje, mas ó: foi você mesmo quem me fez ficar assim.
A poeira acumulou por cima do meu prato servido
Uma fresta de luz ilumina o ambiente cinza
Procuro alguma perspectiva
Por trás da nuvem enxergo sua sombra
ou pode ser que imagine
Ou era ali que você costumava ficar?
Tento lembrar a musica que tocava
Acho que eu estava dançando mesmo sem som
Você me deixou ali
Sem escolha
E fiquei
O tempo passou
Estou encarando a poeira
Quanto tempo faz?